16/01/2026

Sustentabilidade

Avistamentos de animais silvestres aumentam com o calor, saiba como agir

Biólogo alerta sobre cuidados que a população pode adotar ao avistar um animal silvestre em áreas urbanas ou rurais


Filhote de Lobo-Guará foi resgatado pelo Parque Ecológico Klabin no ano passado

Paraná, 16 de janeiro de 2025 – Os períodos de temperaturas mais altas favorecem a circulação de animais silvestres, que saem em busca de alimentos, água e tendem a mudar seus horários para evitar os picos de calor. Além disso, o verão coincide com a época de reprodução de várias espécies, motivos pelo qual nessa época do ano aumentam os casos de avistamento de animais como quatis, saruês (gambás), capivaras, tatus e cobras.

Paulo Schmidlin, Coordenador de Biodiversidade da Klabin, explica que áreas rurais e regiões próximas a matas e rios são as mais propícias para encontros inesperados, mas que também não é incomum que animais silvestres apareçam em áreas urbanas. Nestes casos, um primeiro alerta importante para o período é para os motoristas que passam pelas estradas terem atenção redobrada, evitando casos de atropelamentos desses animais.

Um segundo ponto de atenção é não interagir com um animal silvestre, que pode atacar ao se sentir acuado. “O instinto do animal é se defender, e em um encontro com um humano ele pode se sentir ameaçado. Ao intervir, há risco de acidentes e de comprometer a sobrevivência do animal. Além disso, tanto os animais podem ser vetores de doenças para as pessoas quanto o contrário”, afirma Paulo. O ideal é sempre acionar a Polícia Ambiental (181) ou os Bombeiros Militares (193), que avaliarão a necessidade de resgate e, se necessário, acionarão os especialistas competentes.

O PEK realiza, em casos específicos e alinhado com as autoridades, o resgate e posterior soltura de animais silvestres. Em 2025, cerca de 400 indivíduos foram retirados com segurança de ambientes urbanos e rurais próximos às áreas de vegetação nativa, a maior parte deles nos meses de primavera e verão. Entre os casos que contaram com suporte do PEK no ano passado está o resgate de um filhote de lobo-guará, espécie que integra a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), ou seja, considerada ameaçada de extinção. O animal foi encontrado por agricultores em uma fazenda no município de Ventania (PR).

"Identificamos que se tratava de um filhote com cerca de um mês de vida, ainda dependente do cuidado materno. A mãe pode ter se afastado para buscar alimento e, por um algum fator externo, não retornou à toca. Considerando as necessidades para sobrevivência, o filhote foi acolhido no PEK, recebendo alimentação adequada e acompanhamento veterinário para seu desenvolvimento”, destaca Paulo.

O biólogo, que há mais de uma década atua no manejo de animais silvestres no PEK, ressalta que filhotes retirados da natureza raramente conseguem retornar ao habitat natural por não terem aprendido comportamentos essenciais para a sobrevivência, como caçar, fugir de predadores e buscar alimento, habilidades transmitidas pelos pais e difíceis de replicar totalmente em cativeiro. Como consequência, muitos desses animais precisam permanecer sob cuidados humanos pelo resto da vida.

Confira abaixo algumas dicas de como agir em caso de avistamento de animal silvestre:

Na natureza:
afaste-se lentamente e deixe o animal seguir seu rumo. Não tente interagir ou se aproximar, pois a intervenção humana pode interromper o ciclo natural e prejudicar o animal, ou ainda ocasionar acidentes.

Em ambiente rural: interrompa a operação de máquinas e mantenha distância. Isole a área, especialmente de animais domésticos, e acione imediatamente a Polícia Ambiental (181) ou os Bombeiros (193), aguardando as orientações das autoridades.

Em ambiente urbano/doméstico: isole o local, protegendo a área de animais domésticos e crianças. Evite barulhos, movimentações ou luzes intensas e acione imediatamente a Polícia Ambiental (181) ou os Bombeiros (193).

Animais feridos: comunique imediatamente a Polícia Ambiental (181) ou os Bombeiros (193). Se for necessário colocar o animal em local seguro até o resgate, utilize luvas ou um pano para o manuseio, uma caixa forrada com papel pode servir de abrigo. Lembre-se que esta é uma ação em casos extremos, o ideal é que o manejo seja feito apenas por profissionais capacitados.

Aves filhotes: é comum encontrar filhotes aprendendo a voar. Nesse caso, não toque no animal, isole a área, afaste-se e observe se os pais estão próximos. Se o filhote caiu de um ninho de fácil visualização, ele pode ser realocado com auxílio de luvas e uma toalha. Caso os pais não retornem, acione as autoridades.

Mamíferos filhotes: muitos permanecem sozinhos por longos períodos enquanto os pais buscam alimento. Por isso, mantenha distância e, se houver risco, comunique as autoridades para avaliação.

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